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Ana Dumas e Sons da Bahia

Uma história a ser contada... Ana Dumas e a Sons da Bahia

A série editorial Sons da Bahia foi idealizada pela antropóloga e produtora cultural Bárbara Falcón, em 2011. A proposta, de forma objetiva, era tornar acessível estudos acadêmicos sobre a música produzida a partir do estado. Uma iniciativa inédita e que preenchia uma lacuna numa terra tão conhecida por sua produção musical.

Estabelecido o conceito do projeto, selecionados os primeiros autores e títulos, e com a clara visão sobre inúmeras outras possibilidades de publicação --- o que era garantia de continuidade da Série ---, conquistado o recurso para lançar a Sons da Bahia; era momento de definir sua identidade visual, primeiramente através de um selo que chancelasse todas as suas obras dali por diante.

Em Salvador, concomitantemente com a  "sacada" de Bárbara de fazer, resultar em livros, trabalhos que traziam à tona um panorama dos diversos estilos e momentos musicais baianos, num diálogo com a história e a antropologia, mas também com a música contemporânea do estado; surgiam cada vez mais novos projetos na cena musical da cidade inspirados nos sound systems jamaicanos, na música eletrônica com influências da cultura africana, permeados pela musicalidade e outros signos populares da Bahia.

Dentre estes nomes que marcavam o cenário, um estava arraigado no inconsciente da idealizadora, tanto mais, talvez,  por se tratar da ideia inovadora de outra mulher, a artista multimídia Ana Dumas. Produtora e artista baiana, formada em filosofia, de quem as ações e produções não cabem em um conceito, se define como uma IJ - IdeiaJokey, um termo que tenta abarcar a dimensão da sua inquietude e talento, os quais resultam em obras de arte visual, intervenções urbanas, filmes, atividades educativas...

Ana, desde 2009, percorre o mundo com seu Carrinho Multimídia, uma estação de arte e comunicação ambulante, inspirada nos trios elétricos, carrinhos de café baianos e sound systems da Jamaica. Com o Carrinho, ela desenvolve uma série de ações artísticas e educativas, já participou de diversos eventos culturais e de comunicação no Brasil e em outras partes do mundo, como bienais, exposições, manifestos, além de ter sido tema de reportagens em veículos de destaque do estado e país (http://www.anadumas.art.br/).

Assim, Bárbara, ainda no plano do inconsciente, sem se remeter diretamente ao trabalho de Dumas, soprou para os parceiros da Pinaúna Editora o que tinha imaginado para o selo da Série: um carrinho de café sonorizado.

Com o briefing, foi justamente uma foto de Ana Dumas, tirada por sua irmã Alexandra, a fonte para elaboração do selo. A imagem acessada no site de um dos projetos da artista (www.curtocircuitonocarnaval.blogspot.com) foi vetorizada, passou por uma edição de cor, e manteve no preto chapado a silhueta de Dumas. Ao carrinho da foto, que é um dos carrinhos de cafés habituais das ruas da Bahia, foram agregadas tuitas de som para remeter a um equipamento sonoro mais robusto. Então se chegou ao elemento que compõe toda identidade da série  Sons da Bahia, que tem agradado aos leitores em cheio e arrancado elogios de muitos.

À Ana Dumas, nossos imensos agradecimentos e o expressar de uma admiração não só pelo talentoso, instigante e interessante trabalho artístico em muitas frentes, que foi a fonte para a logo da Série, mas principalmente por de pronto nos apresentar um tocante aspecto pessoal, a sua generosidade, difícil de encontrar nos dias de hoje. Obrigada pela inspiração!